Flos Ambiental

O Trilema do Desenvolvimento Sustentável

Pergunto a você se o termo “Desenvolvimento Sustentável” faz-nos sentir que estamos no meio de uma corrida  em direção a uma vida que almejamos ser permanentemente melhor e equilibrada para a sociedade, economia e o meio ambiente? Mas quando será esse dia almejado?

O que seria para você esse futuro justo, harmônicoque valoriza a cultura, o meio ambiente com tecnologias avançadas, com aplicação da economia verde e economia circular sem degradações?

Há inúmeros trabalhos, artigos… livros, teses… que discutem sobre essas questões. No entanto, em nenhum deles, ainda, consegui encontrar uma perspectiva ou prospecção assertiva sobre como efetivamente resolveremos questões relacionadas às crises ambiental, social e econômica em que países, principalmente os em desenvolvimento, possam assegurar a sustentabilidade em prol da geração futura.

Imagine isso para daqui 42 anos? Em 2050 teremos mais de 2 bilhões de consumidores ativos em todo mundo! Qual será o nível de maturidade social, econômico e ambiental desses consumidores? Serão meramente consumidores que compram e depois descartam sem se importar com o antes e o depois? Ou então serão membros ativos da sociedade, que colaborariam com o desenvolvimento sustentável?

Veja esse breve vídeo sobre a sustentabilidade e o consumo:

Conta-se que a trajetória da sustentabilidade está atrelada à percepção de que estamos ameaçados como espécie. Ora, o problema das crises não é de que a vida no planeta esteja ameaçada de extinção em curto ou médio prazo. Seríamos muito pretenciosos de pensar que temos total poder sobre os eventos naturais e sobre a decisão da vida no Planeta. O que está em jogo é se as nossas gerações futuras terão condições de viver com a mesma qualidade de vida que muitos têm hoje:

  1. Darwin comprovou que todas as espécies têm uma trajetória de nascimento, desenvolvimento e morte, sendo que algumas desaparecem, outras surgem e se adaptam. Nós não somos diferentes em relação aos nossos antepassados.
  2. Até meados do século XX, a humanidade pensava que a ameaça de extinção estaria através de um choque de meteorito, como ocorreu com os dinossauros há milhões de anos; ou surgimento de uma epidemia desconhecida; ou então, por fatos não muito distantes, como a destruição em massa com uso de bombas atômicas, comprovados em Hiroshyma e Nagasaki. Esta, no entanto, é uma ameaça que ainda nos amedronta.
  3. Do século XX em diante muitos autores adicionaram algumas preocupações ambientais globais referentes a essa trajetória de ameaça, são algumas delas:
  • A percepção de crise ambiental em torno do uso de pesticidas sintéticos, em meados de 1950, com estudos realizados pela bióloga marinha Rachel Carson, divulgado pelo livro Silent Spring (1962);

  • O modo de produção e consumo vigente relatado por Brown (2003), que nos conduz a desastres naturais, “é uma evidência que ressalta das informações cotidianas sobre o desaparecimento das zonas de pesca, a redução das florestas, a erosão do solo… e o desaparecimento de espécies”;

  • A ocorrência de chuvas radiativas a milhares de quilômetros dos locais de realização de testes nucleares;

  • As chuvas ácidas sobre os países nórdicos, que levaram a Suécia, em 1968, a realizar a Conferência Mundial para acordos internacionais (Conferência de Estocolmo, em 1972), possibilitando um acordo para reduzir a emissão de gases responsáveis pelas chuvas ácidas.

Pois bem, esses acordos internacionais geraram discussões confrontando problemas sociais e de extrema pobreza, decorrentes da realidade dos países em desenvolvimento (na época chamados de subdesenvolvidos) e problemas ambientais recorrentes nos países desenvolvidos. Ademais, o documento considerava o problema ambiental provindo de externalidades econômicas próprias do excesso de desenvolvimento (tecnologia agressiva e consumo excessivo), de um lado, e da falta dele (alto crescimento demográfico e baixo PIB per capita), de outro (Do Nascimento, 2012).

Assim, a ideia de “sustentabilidade” ganhou corpo na adjetivação do termo “desenvolvimento”, fruto da percepção de uma crise ambiental global durante anos… de que o padrão de produção e consumo em expansão no mundo não teria possibilidade de perdurar.

Assista ao vídeo a seguir sobre as diretrizes do desenvolvimento sustentável na atualidade e a Agenda de 2030:

Hoje, é comum encontrarmos Empresas, Órgãos, Setores e/ou Empreendimentos que relacionem o tripé do Desenvolvimento Sustentável aos princípios e políticas de crescimento interno, dentro do Sistema Econômico em que estamos inseridos.

No entanto, muitos setores produtivos ainda se limitam a adotar medidas necessárias para evitar a paralisação ou o recebimento de multas, por não atuar em conformidade com os procedimentos e padrões legais.

Os acidentes ambientais como o incidente na Allied Quemical Corporation (EUA), em 1975; o vazamento de gases tóxicos numa fábrica de pesticida da Union Carbide em Bhopal (Índia), em 1984; a explosão de reator nuclear em Chernobyl, em 1986; entre outros, obrigou as empresas a arcarem com elevados gastos em indenizações, recuperação dos ambientes danificados e ações para mitigação e/ou controle dos danos. Além disso, a imagem das empresas causadoras do dano foi afetada negativamente.

Essas relações nos fazem indagar muitas questões:

  • É contabilizado no investimento de qualquer empreendimento, a contrapartida que o meio ambiente e a sociedade dão, quando se deseja conceber algo novo, expandir ou manter em funcionamento algo?
  • Qual a verdadeira importância do investimento quando relacionamos o desenvolvimento sustentável? E o quando o marketing é voltado somente à sustentabilidade do meio ambiente?
  • As empresas hoje fazem um balanço econômico, social e ambiental real quando se fala em investir em sustentabilidade? Quem paga toda a conta realmente?
  • O retorno de investimento é o único item a ser avaliado quando um empreendimento ou empresa visam à sustentabilidade?
  • Qual o verdadeiro balanço do tripé economia, sociedade e meio ambiente quando se afirma investir em sustentabilidade?
  • A pergunta-chave é: essa dita sustentabilidade alcança metas em prol das gerações futuras?

Se o desenvolvimento a favor sustentabilidade está sendo inserido e adequado ao novo modelo que se busca para as futuras gerações, somente o tempo nos dirá e irá nos mostrar o caminho.

A melhoria de vida e a sustentabilidade está atrelada à cultura, educação, à percepção e à capacidade inventiva do Homem, principalmente se houver necessidade de se adequar a um novo ambiente.

Hoje, visualizo que: o que percebemos e tentamos executar são ações pontuais socio-ambientais, com vislumbres de crescimento econômico proporcionais a cada área de atuação.

 

Referências

BROWN, L. R. Éco-économie, une autre Croissance est Possible, Écologique et Durable. Trad. Denis Trierweiler. Paris: Seuil, 2003.

DO NASCIMENTO, Elimar Pinheiro. Trajetória da sustentabilidade: do ambiental ao social, do social ao econômico. Estudos avançados, v. 26, n. 74, p. 51-64, 2012.