Flos Ambiental

O Paradoxo do Crescimento Econômico e a (In)sustentabilidade Ambiental no Planeta

O crescimento acelerado da economia mundial na busca frenética pela lucratividade, desde, principalmente, o período pós-guerra, contribuiu significativamente para a melhoria da qualidade de vida dos seres humanos. Podemos citar, dentre outras características, a importante redução da miséria, as melhorias nos índices de educação, saúde, saneamento, o desenvolvimento tecnológico, os avanços da industrialização, a aproximação cultural e a rápida conectividade devido à globalização. Portanto, o contínuo investimento tecnológico, utilizando-se de recursos naturais renováveis e não renováveis para a expansão na produção de bens e serviços, contribuiu na mudança cultural e nos modos das pessoas viverem até os dias atuais.

Contudo, o modelo econômico vigente vinculado ao processo de globalização, trouxe consigo problemas no âmbito socio-econômico e ambiental, que hoje são alertados por diversas organizações. Dentre as principais, a Organização das Nações Unidas (ONU). São 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), com metas que segue uma agenda até 2030 visando ações em prol da sustentabilidade para as gerações futuras. Visualizar o site: https://nacoesunidas.org/pos2015/agenda2030/

O ODS número 12 – Consumo e Produção Responsáveis – tem como uma das diretrizes, até 2030, alcançar a gestão sustentável e o uso eficiente dos recursos naturais. O progressivo temor das Instituições que visam ao bem-estar ambiental, está baseado no uso insustentável de recursos naturais, principalmente, não renováveis, como é o caso do petróleo; na atenuação da biodiversidade, no alto consumo e geração incontrolável de resíduos, no aumento de dióxido de carbono na atmosfera, na acidificação dos oceanos, entre outros.

Muitos autores descrevem uma depleção dos recursos naturais não renováveis, como o petróleo. Os valores da matéria-prima bruta foram insignificantes no reajuste monetário (ou seja, na valorização econômica) num horizonte de 50 anos, mesmo com o aumento acelerado do crescimento demográfico neste período e com o alto valor agregado após o processo de industrialização.

O modelo econômico que estamos vivendo já está apresentando alguns sinais de exaustão. Várias fronteiras ecológicas estão sendo ultrapassadas e abrindo espaços para transformações quase irreversíveis e incontroláveis na esfera planetária. Um exemplo considerável dessa realidade é representado pela fabricação de derivados do petróleo, como os diversos tipos de plásticos. Segundo a IEA (International Energy Agency), aproximadamente 25% do petróleo é utilizado pelo setor industrial, 16,2% é utilizado como subproduto ou matéria-prima e o restante no setor de transportes.

A “Era do Petróleo”, iniciada no século XX, mostra as graves consequências da falta de gestão socioambiental, atrelada à tão organizada  gestão econômica existente.

Um problema de grande visibilidade hoje é a presença exacerbada de resíduos de plástico no ambiente!

É perceptível, onde quer que vamos, a presença do plástico. É como uma marca registrada da presença humana em todo o espaço do Globo, nesta era em que vivemos! Na cidade, em estabelecimentos comerciais, o plástico tem características peculiares e muito vantajosas quanto à versatilidade e facilidade de utilização.

Mas o grande problema é quando nos deparamos em locais em que o plástico não é considerado adequado no local onde se encontra. Como é o caso de da presença do plástico nos oceanos, por entre as geleiras, no solo….na nossa cadeia alimentar.. Em destaque: locais aquáticos, como rios e oceanos. O problema tomou uma proporção global, no qual todos os seres vivos estão sendo atingidos:

  • Alta taxa de mortalidade de animais desses habitats contaminados pelo excesso de alimento envolvendo plásticos;
  • degradação de grande parte do plástico não acontece por completa, formando os chamados micro-plásticos, os quais já estão presentes inclusive na dieta alimentar do homem;
  • formação dos mega continentes de plástico nos oceanos.

No dia 15 de setembro acontecerá o Dia Mundial da Limpeza 2018. O movimento internacional que promove a campanha da limpeza, intitulado “World Clean Up Day” ou “Dia Mundial da Limpeza”, é a maior ação global para despoluição do planeta.

Assista aos vídeos abaixo para entender visualmente a dimensão deste problema, que é somente um dos exemplos de insustentabilidade ambiental atrelado ao crescimento econômico sem as devidas melhorias dos padrões de desenvolvimento e de organização social e ambiental.

No artigo científico: Economia, sociedade e meio ambiente no século 21: tripé ou trilema da sustentabilidade? da Revista Brasileira de Estudos de População dos autores MARTINE e ALVES (2015), a questão central é que os recursos da nossa ecosfera estão sendo seriamente ameaçados pela expansão do modelo estimulado pelo consumo de “throughput growth”, ou seja, extrai-produz-descarta.

Nesse contexto, o equilíbrio e a sustentabilidade ambiental ficam ameaçados, pois o otimismo do consumo, assegurado pela obsolescência induzida, tornou-se sinônimo de “desenvolvimento” e é hoje a força motriz da alta produção e descarte no planeta.

Pergunta-se: Você acredita que haveria recursos, mesmo com a evolução tecnológica buscando sanar esses problemas, para garantir a sustentabilidade ambiental e assegurar o bem estar da atual e futura geração?

Já ultrapassamos a capacidade regenerativa anual do planeta e percebe-se que são poucas ou incipientes as ações dispostas a mitigar e diminuir o paradoxo do crescimento econômico e da sustentabilidade ambiental. Uma das primeiras atitudes que se costuma relacionar é a necessidade da redução do tamanho populacional por programas de planejamento familiar. No entanto, nem sempre a produção e o consumo estão associados diretamente ao aumento da população, pois, segundo o relatório de riqueza global do banco The Credit Suisse (2014), em torno de dois terços da população possuíam somente 3% do patrimônio global da riqueza e menos de 1% possuem quase metade da riqueza e bens. Pensa-se que o agravamento maior pode ser refletido pelo aumento do contingente de consumidores, principalmente de países ricos e dos emergentes, e não somente na perspectiva do crescimento populacional.

O sistema econômico atual exige uma sobrevivência atrelada ao cumprimento infinito e ilimitado do crescimento, nos investimentos e alcance de metas, no entanto os “recursos” naturais possuem uma velocidade regenerativa peculiar e, muitas vezes, não dispõem desse atendimento aos desejos do sistema. Percebe-se um modelo que ainda não alcançou uma justiça social e econômica, tampouco, uma sustentabilidade em prol do ambiente em que vivemos.

Os acontecimentos extremos que visualizamos nos dias atuais podem ser vistos como um chamamento dos impactos recorrentes nos ambientes, como a situação impactante do plástico e a extinção animais em pouco tempo. É dever de todos nós, nos certificarmos do modo de vida que temos, avaliando se é o melhor caminho em prol da herança às próximas gerações.

Podemos começar com as pequenas atitudes: