Flos Ambiental

O meio ambiente somos nós

Em meados de 05 de junho de 1972, na primeira das Conferências das Nações Unidas sobre o ambiente humano, em Estocolmo, determinou-se o Dia Mundial do Meio Ambiente. Pode-se dizer que o Encontro foi um produto de diversas manifestações ambientalistas, mais intensas na década de 60, decorrentes do forte período de industrialização que se avançava.

Na época, o objetivo foi entender os processos de interferência antropológica no meio em que se viviam e conscientizar a sociedade a melhorar a relação com o meio ambiente e, assim, atender às necessidades da população, sem comprometer as gerações futuras.

De alguma forma, com o passar dos anos e com um histórico de lutas contra outros tipos de pensamentos de origem pré-socráticas, no Mundo Ocidental, a visão dicotomizada entre o Homem e a Natureza tomaram proporções pelas quais hoje buscamos resgatar.

No livro “Os (Des)Caminhos do Meio Ambiente”, de Porto Gonçalves (2013), a visão atual Ocidental de meio ambiente, foi pragmaticamente separada e vigorada por uma filosofia Cartesiana homem-natureza, espírito-matéria, sujeito-objeto.

Isso impulsionou a atuação do indivíduo, do Estado e do Mercado mundial a enxergar a natureza como um recurso instrumentalizado pelo homem por métodos científicos, os quais permeiam até os dias de hoje. Entretanto, diferentes percepções convergiram-se ao entendimento da real interação do planeta como um todo. Desde interações climáticas, das diversidades biológicas, dos ciclos biogeoquímicos, de interferências e ações antropológicas entre si e sobre, principalmente, os habitats naturais.

Nesse contexto, a necessidade de organizar e aproximar nações em prol de uma nova atuação no meio ambiente – como participante dele – veio à tona, surgindo o contexto de “holístico”, que descende da palavra grega physis (a totalidade de tudo o que é).

As Organizações mundiais, governamentais e não-governamentais, em sua maioria, mostram uma preocupação crescente sobre as ações e consequências da interferência humana no ambiente que habita. Hoje, pessoas e empresas adotam e desenvolvem medidas e ações que, além de diminuir os impactos aos cenários ambientais futuros, também contribuem para a reestruturação ambiental devido ao controle normativo rigoroso.

Pode-se considerar que o assunto “Meio Ambiente” é, cada vez mais, abordado no dia-a-dia das pessoas, através de redes sociais, telejornais, informativos, cartilhas, livros, nas escolas, palestras, no ensino informal, em forma de marketing de empresas e instituições, e muitos outros meios. A internet e a mídia oferecem uma grande aproximação das informações e conhecimentos acerca do que se relaciona a esse tema.

No entanto, muitas vezes essas informações ainda nos passam a sensação “Cartesiana” de que o meio ambiente está em algum lugar, separado do homem, e é um ente pelo qual temos que preservar e melhorar, mesmo que nossos hábitos exijam maior consumo, produção e interferência, ou até mesmo, destruição de ecossistemas.

Pergunta-se, será que a humanidade está entendendo o seu papel no meio ambiente, a ponto de mudar seus hábitos e participar ativamente de ações em prol do futuro dos seres físicos, químicos e biológicos na Terra?

Mais de quarenta anos se passaram da primeira Conferência das Nações Unidas e nossa visão, ou entendimento de meio ambiente, pode estar passando por transformações em prol do todo comum.

Em 2015, ocorreu em Nova York, a Cúpula de Desenvolvimento Sustentável. Nesse encontro, todos os países da ONU definiram os novos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) como parte de uma nova agenda com prazo para 2030 (Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável). Detalhes em https://nacoesunidas.org/pos2015.

Os temas de destaque incluem atuações negativas do ser humano sobre habitats naturais e mudança de ambientes, como é o caso da acidificação e poluição dos oceanos com a extinção de seres vivos nos recifes de corais, a poluição plástica nos oceanos que geraram os chamados “Continentes de plástico”, a alta taxa de migração devido às alterações climáticas e aos desastres causados por essas variações, à extinção de animais, desequilibrando as cadeias tróficas.

As pessoas estão apresentando sinais e expressando um desconforto sobre esses problemas de desequilíbrio. São inúmeras as ações de ativistas ambientais, profissionais, instituições e empresas que visam ao melhoramento da saúde do meio ambiente, e atuando como parte dele. Ações relacionadas à proteção e conservação de áreas de preservação, de “recursos” hídricos, à mitigação de problemas relacionados à poluição de nichos ecológicos, dos habitantes que vivem neles e ao saneamento básico como um todo.

Um exemplo dessas ações, muito citado atualmente, é a mobilização dos surfistas pelo mundo em prol da conservação dos oceanos e ambientes costeiros. Veja o http://www.ecosurf.org.br/.

Os Encontros de dirigentes no mundo, como as Conferências das Nações Unidas, norteiam a humanidade sobre a percepção do nosso comportamento como adjunto ao Meio Ambiente, no entanto, é cada vez mais requerido melhorias no nosso papel de ser vivo.

Esse texto teve como objetivo, realizar uma reflexão e nos estimular a nos tornarmos despretensiosos, entendendo nossa responsabilidade como parte atuante do Meio Ambiente. Com a compreensão de que o Meio Ambiente somos nós!