Flos Ambiental

NIMBY Not In My Back Yard em políticas ambientais

A semana mundial do meio ambiente, período onde mais se concentra discussões sobre temas ambientais, foi marcada por muitos eventos relacionados com a área. Not In My Back Yard, ou popularmente conhecido como NIMBY, é um termo mundialmente conhecido pela sua aplicabilidade em diversas áreas, inclusive para alguns casos que envolvem políticas ambientais.

Considerado uma síndrome, o termo Not In My Back Yard (não no meu quintal, em inglês) ou apenas NIMBY é uma atitude da sociedade que repudia algumas práticas que muitas vezes são em benefício do meio ambiente mas que mesmo assim sofrem resistência no aceite da população.

Algumas políticas públicas que sofrem com a ação do NIMBY são essenciais para a sociedade, como usinas hidrelétrica, parques eólicos, construções de aterros sanitários e estações de tratamento de esgoto (ETE), sendo os dois últimos ferramentas fundamentais dentro do saneamento básico. Por serem estruturas que concentram a destinação de resíduos sólidos e efluentes para o tratamento ambientalmente adequado, causam a sensação na população local de contaminação e poluição ao meio ambiente em que vivem. Em contrapartida, as construções de estação de tratamento de água (ETA) e sistemas de drenagem urbana, que são as outras estruturas pertencentes ao saneamento básico, não são alvo da ação do NIMBY, visto que os benefícios são mais visíveis para a população (fornecimento de água tratada e melhor escoamento de águas pluviais das cidades).

Já aterros sanitários e ETEs por exemplo, devido a sua complexidade de instalação e restrições, são muitas vezes construídos em locais estratégicos e afastados dos centros urbanos, atendendo distâncias definidas em normativas e legislação. Devido a isso, muitos locais viáveis e legais para implantação de um aterro sanitário ou de uma ETE, ocorrem em zonas rurais onde vivem populações menores e muitas vezes com baixa instrução em temas relacionadas ao meio ambiente.

Nesses casos, a aceitação da população local de que a construção e operação de estruturas de tratamento não irá afetar e poluir o meio ambiente é ainda difícil de ser compreendida e nesses casos, é importantíssimo o contato direto entre o empreendedor e a população, esclarecendo dúvidas e assegurando que o empreendimento foi instalado a partir do licenciamento ambiental e de todas as recomendações técnicas e legais e que além disso, está sendo operado conforme todas as normativas existentes e procedimento operacionais corretos.

A maior dificuldade ainda existente sobre a aceitação da instalação dos aterros sanitários no Brasil, é acentuada devido a ocorrência de lixões em muitos locais, que é a destinação de resíduos sólidos mais inapropriada e com elevado risco de contaminação e poluição ao solo, lençol freático, águas superficiais e subterrâneas, sem nenhum controle e monitoramento ambiental.

Com isso, a população muitas vezes não conhece um bom exemplo de destinação ambientalmente adequada de resíduos, sendo que quando é construído e operado um aterro sanitário, mesmo que se faça com a melhor tecnologia existente no mercado, ainda há muita comparação entre aterro sanitário com os lixões. Essa é uma tarefa árdua e lenta a ser construída na sociedade, a qual depende de muito diálogo, esclarecimento de dúvidas e perguntas, educação ambiental nas escolas e locais estratégicos, compensações ambientais e melhoriais locais, e divulgação maior dos benefícios que um empreendimento desse porte irá causar para a região.

O que precisa ainda ser feito é a quebra de paradigma de destinação de resíduos no Brasil, pois com o aumento populacional e a melhora do poder aquisitivo da população, aumenta-se consequentemente a geração de resíduos por habitantes.

Entretanto, vale reforçar e relembrar e ser aplicado os princípios da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), Lei no. 12.305 de 2010, a qual cita a prioridade para a não geração, redução, reutilização, reciclagem, tratamento ambientalmente adequado dos resíduos e disposição ambientalmente adequada dos rejeitos.

Engenheira Ambiental Heloisa Pontarolo, Supervisora de Sistemas de Tratamento | Zero Resíduos https://www.linkedin.com/in/heloisa-pontarolo-4294ba137