Flos Ambiental

Lean & Green

O termo “lean” foi cunhado ao final da década de 80 em um projeto de pesquisa do Massachusetts Institute of Technology (MIT) sobre a indústria automobilística mundial. A pesquisa revelou que a Toyota Ltda havia desenvolvido um novo e superior modelo de gestão empresarial.

Para competir com a produção em massa, a Toyota criou uma nova gestão, com um sistema voltado para a redução dos desperdícios e perdas em todos os aspectos de suas operações. Mas não se trata de um conceito exclusivo da Toyota, podendo ser aplicado por empresas de qualquer negócio e em qualquer país ou região. Deve ser visto como um sistema de gestão para toda a empresa.

Lean Thinking (ou Pensamento Lean) baseia-se em práticas e conceitos inspirados no Sistema Toyota de Produção, o sistema de produção enxuto, cujos princípios visam a eliminação dos desperdícios.

O Lean & Green é uma relação entre a produção enxuta (lean) e a gestão ambiental (green) com objetivo de eliminar os desperdícios de recursos, como água, energia elétrica e materiais, nos processos produtivos.

O diferencial na abordagem Lean & Green é que ele não visa mitigar impactos ambientais e sim usar menos para conservar os recursos naturais.

A preocupação com a conservação do meio ambiente, por meio da eliminação de desperdícios de recursos naturais em processos produtivos, também é atrativa do ponto de vista econômico, pois melhora os custos de produção ao mesmo tempo que evita impactos ambientais.

Para que essas melhorias sejam atingidas é necessário que haja um alinhamento do conceito de Lean & Green com as ferramentas de gestão em processos produtivos.

Através da adaptação da ferramenta Mapa de Fluxo de Valor para avaliação de desperdícios ambientais em processos produtivos é desenvolvida uma nova ferramenta denominada Mapa de Fluxo de Valor Ambiental.

A construção de mapas permite enxergar onde há perdas ou desperdícios de materiais, de água ou de energia elétrica.

Os mapas são construídos seguindo a sequência operacional, passo a passo, constituindo-se em documento para análise gerencial e tomada de decisão.

Para exemplificar esses contextos, mostramos duas situações usando Mapa de fluxo de valor ambiental para a gestão da água (em metros cúbicos) numa indústria sucro alcooleira, do autor JUNIOR E GATI, 2009

Mapa de fluxo de valor ambiental para água (em metros cúbicos) numa indústria sucro alcooleira:

 

Fonte: Adaptado de JUNIOR E GATI, 2009

 

No fluxo apresentado na figura acima, a água recebe as seguintes classificações:

Água Ativada

É o total de água que entra na área do processo produtivo, agregada e não agregada ao produto

Água Utilizada

É a água que o processo produtivo precisa para operar

Água Agregada

É a água que é parte integrante do produto final

Esta classificação no regime de destino final da água que entra no fluxo do processo produtivo é apresentada na linha dentada, que é o elemento de visualização no mapa de fluxo de valor.

O próximo exemplo apresenta um  Mapa de fluxo de valor ambiental para água (em metros cúbicos) numa indústria cosmética, adaptado do trabalho de JUNIOR E GATI, 2009:

Fonte: Adaptado de JUNIOR E GATI, 2009

 

Perda Ambiental = água ativada – água agregada ao produto

Nos exemplos 01 e 02 observamos que há perda ambiental.

Perda Funcional Primária = água ativada – água utilizada

No exemplo 01 notamos que há uma grande perda funcional. Já no exemplo 02 não há esta perda.

A perda funcional é a água ativada que não exerce qualquer função no processo produtivo. São perdas de primeiro grau, como vazamentos, transbordos, evaporação, etc. São os desperdícios.

Perda Funcional Mitigada = água ativada – água agregada ao produto – reuso

O reuso de água reduz significativamente a perda funcional mitigada e ainda tem benefícios econômicos, mas não deve ser descontado da perda ambiental, pois continua tendo impacto ambiental, já que a água foi captada e ativada no processo.

O reuso pode encobrir desperdícios, por isso, deve ser visualizado nos mapas e ser foco de atenção.

 

Considerações

Os exemplos apresentados, buscaram demonstrar que o modelo Lean e Green oferece inúmeras oportunidades para redução de custos e eliminação do uso desnecessário de recursos, principalmente em indústrias. Além dessa estratégia de prevenção e diminuição de consumo, ela também visa à incorporação de bases da sustentabilidade ambiental nas práticas de negócio.

A ferramenta Mapa de Fluxo de Valor aplicado com foco em recursos, como água, energia elétrica e/ou materiais, produz um diagnóstico muito claro de onde há desperdícios que devem ser eliminados.

A ação de ir dentro da indústria, passar por todo o processo produtivo identificando cada ponto de consumo do recurso para elaboração do mapa é um diferencial para a eficiência da aplicação da ferramenta.

A eliminação de desperdícios traz ganhos ambientais e ganhos econômicos indiscutíveis e por isso essa prática deve ser disseminada para todos os tipos de indústrias.

https://www.lean.org.br/artigos/121/lean-e-green—mapeamento-ambiental-dos-processos-de-producao.aspx